Saturday, December 03, 2005

Flagrantes da turma na disciplina no último dia de aula






Sunday, November 13, 2005

Aula 16 de novembro de 2005

ENFOQUES TEÓRICOS EM SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO
(Trabalho de esquematização para fins didáticos em sala de aula baseado na obra GOMES, C. A. (1994). A educação em perspectiva sociológica. 3ª ed. rev. e ampl. São Paulo: EPU. Cap. 2. Enfoques teóricos em Sociologia da Educação. p. 19)


Estudos sociológicos da educação permitem distinguir, no seu período mais recente, duas fases:

1ª) Fase do “otimismo pedagógico” - vai até os anos 60, caracterizada por conceber a educação como fator de democratização, de distribuição de renda e até, segundo tradição antiga, de melhoramento da natureza humana. Seguiu-se a esta fase um período de desilusão e cinismo.

2ª) Fase do “pessimismo pedagógico” – a partir dos anos 70, caracterizada por conceber a educação como um processo predominantemente de manutenção do poder estabelecido. A educação é encarada como um processo de instauração de um consenso imposto. Ela é um instrumento dissimulado de dominação e reprodução da estrutura de classes. Bourdieu e Passeron / Althusser, Collins (171), Young (1971), Illich (1971), Bowles / Gintis, Collins


A estas duas fases correspondem dois paradigmas, ou seja, maneiras pelas quais são vistos os campos de estudos, identificados os temas para investigação e especificados conceitos e métodos legítimos em relação ao seu contexto histórico: os paradigmas

. do consenso - vê a sociedade como um conjunto de pessoas e grupos unidos por valores comuns, que geram um consenso espontâneo.

Do pós-guerra até o início dos anos 60 verificam-se:
. A guerra fria e uma intensa competição, quando não conflito declarado entre as superpotências.
. Dada a necessidade de integração interna então gerada, floresceu o paradigma do consenso, representado sobretudo pelo funcionalismo, em Sociologia, e pela teoria do capital humano, em Economia.

. e do conflito – a sociedade é vista basicamente como um conjunto de grupos em contínuo conflito, onde uns estabelecem dominação sobre os outros

A partir dos 60 verificam-se:
. O mundo foi marcado pela contestação dos padrões estabelecidos, lutas internas e crescentes dificuldades econômicas.
. Passou a vicejar o paradigma do conflito, representado pelo neomarxismo, utopismo e outras correntes.
. Nos anos 80 e 90 o contexto histórico foi marcado, entre outros fatores, pela ascensão e apogeu do neoconservadorismo na Grã-Bretanha e EUA, caracterizados, respectivamente, pela longa permanência de Margaret Thatcher e pelas eleições de Ronald Reagan e George Bush. Na URSS Mikhail Gorbatchev, promove reformas para reverter o aprofundamento da crise sob as denominações de Glasnost e Perestroika. Não alcançadas as mudanças desejadas, desintegrou-se a URSS e ocorreram na Europa Oriental e Central as chamadas “revoluções de veludo”, que resultaram na queda dos regimes socialistas e na reunificação da Alemanha.
. Alguns proclamaram o fim da História e até das ideologias.
. Países da África, América Latina e Ásia amargaram profunda crise econômica, decorrente da enorme dívida externa. As condições econômicas, sociais e educacionais se degradaram, configurando-se pelo menos os anos 80 como a “década perdida”.
. O paradigma do conflito perdeu força, especialmente com a crise do marxismo e do neomarxismo.
. Voltou à tona a importância econômica da educação, tendo em vista suas ligações com a produção, a tecnologia e, por conseguinte, com as próprias perspectivas de competitividade e prosperidade de cada país.
. Amadurecimento de certas correntes do paradigma do conflito, com a consciência crescente de que as relações entre educação e sociedade não se restringem à ingênua simplicidade de um processo reprodutivo, em que a educação se assemelharia a uma imensa fábrica produzindo cidadãos dóceis segundo as ordens da elite do poder.
. Passou-se a aprofundar conceitos como o de resistência e de autonomia da escola, indicando que, afinal, as relações não eram tão simétricas e passivas como a vulgarização das teorias reprodutivistas chegou a sugerir.


RESENHA DOS ENFOQUES TEÓRICOS EM SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO
de acordo com os paradigmas do consenso e do conflito

Consenso (otimismo)
- Os estudos sociológicos da educação durante primeira metade do século XX foram dominados pelo chamado enfoque moralista de orientação positivista. Este enfoque mesclava Filosofia e Ciência, entendendo que o conhecimento sociológico da educação influenciasse a prática educacional e esta última influenciasse o progresso social
- As correntes evolucionista, neo-evolucionista e estrutural-funcionalista inspiraram a visão orgânica da sociedade, ou seja, a visão da sociedade inspirada no funcionamento de um organismo que resultou no funcionalismo em Sociologia, que enfatiza a interdependência das partes componentes do sistema social, como também a existência de um “estado” normal de equilíbrio, como é a saúde do organismo.

. Funcionalismo (Parsons)
O maior teórico do funcionalismo é Parsons. Estudou a mudança dentro dos sistemas sociais, não a transformação destes sistemas. A seguir alguns aspectos cruciais para o estudo da educação do ponto de vista do funcionalismo de Parsons:
- As sociedades estão estruturadas com base em quatro sistemas: o cultural, o social, o da personalidade e o do organismo, este nos aspectos que se relacionam ao comportamento.

- O sistema cultural tem como unidade básica de análise o significado
- A ação humana não é possível sem sistemas simbólicos relativamente estáveis, ou seja, sem valores compartilhados que, entre outras coisas, fefinem o que é bom e mau, certo e errado, inferior e superior etc.
- Tais valores são internalizados por meio da socialização, ou seja, do processo pelo qual as pessoas se preparam para exercer papéis na sociedade e se integram à vida social.
- A socialização inclui em seu bojo a educação formal – uma poderosa força integradora da sociedade.
- O sistema social inclui uma pluralidade de indivíduos que interagem entre si. Estes indivíduos desempenham papéis sociais e são chamados de atores. A relação dos atores com as situações é definida e mediatizada pelos símbolos compartilhados do sistema cultural. Os atores são motivados por uma tendência a otimizar as gratificações que recebem.
- O sistema de personalidade tem no ator individual sua unidade básica. Os indivíduos têm suas próprias necessidades, atitudes e motivações, como a motivação no sentido de maximizar sua gratificações.
- O organismo, em seus aspectos que se relacionam ao comportamento, inclui o organismo biológico propriamente dito (que permite a interação social) e o meio físico em que o organismo vive.
- Outro ponto importante da teoria parsoniana é o das variáveis padrão. Os atores possuem certos objetos e têm que atender a certas condições, antes de serem gratificados. Por isto existem alternativas de ação, de modo que as situações não são incertas. Os principais pares de alternativas de conduta para os atores são: 1) afetividade x neutralidade afetiva; 2) particularismo x universalismo; 3) atribuição x realização; 4) difusão x especificidade. Estes pares de alternativas são muito importantes, porque ajudam a definir, nos termos de Parsons, as sociedades como tradicionais e modernas. A sociedade tradicional, as relações sociais tenderiam a se caracterizar pelo particularismo, qualidade e difusão; na sociedade moderna, as relações tenderiam a ser baseadas na neutralidade afetiva, universalismo, desempenho e especificidade.
- O trabalho de Parsons sobre a mudança social é baseado amplamente no evolucionismo. A diferenciação crescente do sistema social é a chave da mudança. Na sociedade tradicional não há muitos papéis diferenciados, enquanto na sociedade moderna os papéis são alocados a diferentes pessoas.
- A teoria de Parsons sobre a mudança social é acusada de ser conservadora. Há interesse em explicar a estabilidade do que a mudança. A análise sistêmica de Parsons não leva em conta os conflitos e contradições inerentes à vida social

. Teoria funcionalista da estratificação social
- A estratificação social é uma área crucial da teoria funcionalista para o estudo da educação. A ação humana é guiada por objetivos que determinam os sentimentos morais básicos compartilhados por atores, resultando em padrões comuns de conduta que distinguem quem ocupa altos e baixos status. A estratificação social é justamente a valorização diferencial dos indivíduos e o seu tratamento como superiores e inferiores em relação a aspectos socialmente relevantes.

. O funcionalismo e a educação (a. contribuição de Durkheim / b. funcionalismo e a educação nos últimos 50 anos)
- Sociólogos funcionalistas têm-se preocupada largamente com a educação. O funcionalismo enfatiza a integração social e a educação é um dos subsistemas integradores, responsável pela socialização.
- Contribuição de Durkheim. Viu na educação o meio pelo qual a sociedade se perpetua. A educação, segundo ele, transmite valores morais que integram a sociedade. A mudança educacional é não só um importante reflexo das mudanças sociais e culturais, mas também um agente ativo de mudanças da sociedade envolvente. Para Durkheim não se pode entender o conteúdo e os métodos da educação sem o contexto social. A obra de Durkheim é um importante ponto de partida para o estudo sociológico da educação.
- Funcionalismo e a educação nos últimos 50 anos. O funcionalismo tem tido uma grande influência no mundo ocidental, favorecida pelo contexto histórico após a II Guerra Mundial. A guerra fria entre os EUA e a URSS tornou a educação um recurso da competição tecnológica, econômica e militar. O funcionalismo encara a educação como um processo pelo qual as pessoas adquirem conhecimentos e se engajam numa ordem de valores sociais. A educação é vista como um processo de seleção de talentos. Por sua vez, a teoria do capital humano tem com o funcionalismo um ponto comum, ao enfatizar a função técnica da educação. A teoria do capital humano considera as habilidades como meio crucial para a alocação dos indivíduos a diferentes nichos da estrutura ocupacional. A educação não só contribui para aumentar a produtividade e produzir o conhecimento técnico exigido pelo acelerado crescimento econômico, a educação é um meio de mobilidade social, uma vez que mais altos níveis de escolaridade conduzem a mais altos níveis de renda. Os trabalhadores são detentores de capital, no sentido de que eles têm habilidades e conhecimentos que são formas produtivas de investimento em si mesmos. Segundo Parsons a sala de aula é uma agência de socialização por meio da qual as personalidades individuais são treinadas do ponto de vista técnico e motivacional para o exercício adequado dos papéis adultos. A sala de aula deve ser considerada como uma agência de alocação de mão-de-obra.

. Teoria técnico-funcional da educação
- A teoria técnico-funcional da educação desenvolveu-se como um ramo da abordagem funcional mais ampla.
- A crescente importância da educação é basicamente resultado de: a) expansão e complexidade cada vez maiores do conhecimento; b) mudanças da natureza do trabalho causadas pela Revolução Industrial, particularmente nos campos da tecnologia, automação e desenvolvimento da empresa de larga escala.
- A educação tem sua importância determinada por causas tecnológicas e econômicas.
- As proposições básicas da teoria técnico-funcional da educação são:
· a mudança tecnológica exige progressivamente mais habilidades para o trabalho
· as crescentes exigências de habilidades levam a maior demanda de educação por parte dos empregadores
· as exigências mais elevadas de educação levam à predominância da realização sobre a atribuição e à construção de sociedades baseadas no mérito.

. Paradigma do consenso no Brasil
- O Brasil tem sido amplamente influenciado por estas tendências teóricas servilmente ou reelaborando estas tendências.
- Nomes mais representativos: Fernando Azevedo, Sociologia Educacional (1951); Anísio Teixeira, Educação no Brasil (1976)

Conflito (pessimismo)
- O paradigma do conflito enfatiza os processos dissociativos da sociedade. Ele não nega a integração entre as pessoas, mas vê o consenso como algo imposto pelo grupo dominante. Valores e idéias são considerados mais como armas para o conflito que como meios de integração.
- A sociedade é vista como um todo segmentado, com diferentes grupos lutando por recursos limitados.
- O paradigma do conflito envolve uma grande variedade de posições.
- Não é sinônimo de radicalsmo e mudança revolucionária

. Enfoque marxista
- Uma das fontes clássicas do paradigma do conflito é o marxismo.
- Três pontos supersimplificados dos trabalhos de Marx: a) os fatores econômicos são determinantes fundamentais da estrutura social e da mudança. A organização social tem três aspectos – forças materiais de produção, relações de produção e modo de produção; b) a história é a história da luta de classes; c) a cultura das sociedades de classe é caracterizada pela ideologia.
- A ideologia impede as pessoas de reconhecer seus reais interesses, de tal modo que elas adquirem uma “falsa consciência”
- A educação inclui todos os processos que contribuem para a formação e mudança da consciência e do caráter das pessoas. Este conceito inclui não só a escolarização, mas também a socialização em geral.
- O pensamento de Marx e Lênin sobre educação em três aspectos básicos: 1) educação e classe social – não pode haver educação livre ou universal, enquanto existem classes; 2) educação como fator de mudança social – reconhecimento da relação recíproca entre educação e mudança social (a revolução deve preceder a reconstrução cultural / um certo nível de cultura era necessário ao estabelecimento do socialismo / ceticismo em relação a tentativas de mudança política gradual através da educação); 3) educação politécnica – combinação de trabalho e educação.

. Neomarxismo (Althusser / Bourdieu e Passeron / Bowles e Gintis / Gramsci)
- Extensa gama de interpretações ortodoxas e heterodoxas. Combinação da teoria marxista com outras fontes e construção de teorias sobre bases ecléticas.
- Althusser: desenvolveu uma teoria que focalizou a educação dentro de uma visão global do capitalismo. Sua pergunta básica: como as condições de produção se reproduzem? A formação social reproduz as forças produtivas e as relações de produção existentes. As escolas se constituem nos lugares onde os alunos aprendem conhecimentos e técnicas, bem como normas de comportamento. Estas normas são ensinadas conforme a classe social do aluno, através da submissão à ideologia. Uma série de aparelhos ideológicos do Estado (este parte da superestrutura) inculca a ideologia dominante desde o início da vida dos indivíduos por meios aparentemente não coercitivos, tanto os aparelhos do próprio Estado (a chefia de Estado, o governo, a administração pública, os aparelhos repressivos – polícia, tribunais, prisões, forças armadas) quanto os aparelhos situados em domínio público, e que cumprem suas funções por meio da ideologia, o que inclui as igrejas, as escolas públicas e particulares, a família, o aparato legal, o sistema político, os sindicatos, os meios de comunicação, a literatura, as artes e os esportes. Para Althusser a escola tem um papel essencialmente passivo na sociedade.
- Bourdieu e Passeron: Numa sociedade estratificada, os grupos e classes dominantes controlam os significados culturais mais valorizados socialmente. Tais significados simbólicos medeiam as relações de poder entre grupos e classes. Um dos mais importantes conceitos da obra destes autores é o de capital cultural, que se refere à competência cultural e lingüística socialmente herdada e que facilita o desempenho na escola. Este conceito é usado no sentido de bens econômicos que são produzidos, distribuídos e consumidos pelos indivíduos. O capital cultural, obviamente, não é distribuído eqüitativamente entre os grupos e classes sociais, de tal modo que as possibilidades de sucesso na escola não também desiguais. O currículo, por meio de sua ênfase à abstração, ao formalismo, à palavra oral e escrita e a outros aspectos, limita as possibilidades dos estudantes. Aqueles que dispõem de uma grande quantidade de capital cultural são bem-sucedidos, enquanto os demais enfrentam barreiras, em virtude da descontinuidade entre a escola e suas origens. Ademais existe uma auto-seleção baseada nas aspirações – e que está relacionada às oportunidades objetivas – de tal modo que parte dos estudantes não consegue atingir os níveis mais altos de escolaridade. O desempenho escolar estaria ligado a origens culturais. O resultado final, no entanto, é que a escolaridade se torna a base para uma mobilidade social limitada, que é um dos mais importantes pontos de apoio da meritocracia. Os autores tem ampla orientação marxista, mas possuem outras fontes teóricas, como Weber e o funcionalismo.
- Bowles e Gintis: neomarxistas mas que possuem outras fontes teóricas. Apesar dos princípios marxistas, eles têm uma visão estrutural-funcionalista de sociedade. A base lógica de sua epistemologia é o positivismo, sua metodologia é o empirismo e sua ontologia é determinista. Sua tese fundamental é a correspondÊncia entre as relações sociais de produção e as relações sociais de educação. A educação (nos EUA) reproduz as desigualdades econômicas e distorce o desenvolvimento pessoal. A escolarização é um método de produzir pessoas passivas. Os traços de personalidade necessários ao trabalho, como modos adequados de auto-representação dependência e diligência, são produzidos pelas escolas. Como a força de trabalho é estratificada, a escola realiza a socialização por meio de padrões diferenciados, de acordo com as origens sociais dos estudantes e os lugares que estes vão ocupar no sistema de produção. Ademais, as escolas convencem os alunos de que a seleção no mundo do trabalho é baseada no mérito. O capitalismo é a fonte de todos os males, não a educação. Um sistema educacional mais igualitário não cria uma sociedade igualitária, e escolas livres são impossíveis em sociedades repressivas.
- Gramsci: destaca a importância da ideologia para difusão de certos valores. A ideologia exerce um papel-chave e a hegemonia é necessariamente uma relação pedagógica. A classe dominante, para ser dominante, precisa ter amplo apoio intelectual e controlar os meios de difusão (escolas, organizações religiosas, meios de comunicação de massa etc.). Para ele a escola burguesa não só discrimina socialmente como é relevante para a manutenção do poder da burguesia. Concebeu a escolarização para crianças como um agente de continuidade histórica, capaz de desenvolver a base para a educação política. O aluno precisa aprender a linguagem culta para ter acesso às grandes culturas e maior intuição do mundo. O ensino dos conteúdos é indispensável, uma vez que a relação instrução-educação só pode ser representada pelo trabalho vivo do professor. A escola é em si mesma trabalho de adquirir conhecimentos, habilidades e hábitos estabelecidos, que exige rigor, ênfase às notas e disciplina coercitiva. Propõe a escola única para todos, isto é, unitária, mantida pelo Estado, que daria uma educação comum aos alunos até 15-16 anos de idade, envolvendo todos os grupos sociais, conduzindo à abolição da divisão social do trabalho e à maior mobilidade ocupacional dos trabalhadores.

. Nova Sociologia da Educação
- Criada por um grupo de sociólogos ingleses no início dos anos 70, fez uma crítica aos modelos de input-output para a análise das relações entre educação e estratificação social. Young (1971), Shaw (1973), Bernstein (1977), Apple e Wexler (1978).
- O currículo é considerado por este grupo como uma seleção de conhecimentos, aprovados pela sociedade e distribuídos a diversos grupos sociais em dosagens diferentes
- Os professores agem passivamente como instrumentos da sociedade e os alunos aceitam também passivamente a sua socialização. Todo conhecimento transmitido pela escola é conhecimento ideológico.
- Proposto (Bernstein, 1990) modelo de prática pedagógica, conectando as relações de classe e poder com os processos educacionais na escola, a partir de três regras essenciais que determinariam a prática pedagógica: a hierarquia, a seqüência e ritmo e critérios.

. Proféticos (Illich / Freire)
- Illich: autor de Sociedade sem escolas, defendeu a desescolarização da sociedade, incluindo a vida familiar, a política, igrejas e escolas. A educação compulsória deveria ser abolida e, em lugar dela, é preciso constituir quatro tipos de redes: 1) rede que oferecesse acesso direto aos estudantes às coisas e pessoas com quem precisam ter contato. Os setores da sociedade, como a indústria e o comércio, devem, pois, ser abertos para exploração; 2) rede de troca de habilidades, onde os estudantes teriam acesso direto às pessoas que realmente possuíssem as habilidades desejadas; 3) rede de contatos entre os pares, funcionando como um sistema pelo qual pessoas de interesses idênticos poderiam entrar em contato entre si; 4) rede dos educadores profissionais para operar e adquirir coerência. Os líderes educacionais ajudariam os estudantes, que, de outra forma, se sentiriam perdidos no sistema.
- Freire: define o homem como sujeito, agente da história, em suas relações ativas com o mundo. Alinhado a uma tendência humanista do marxismo e com o existencialismo, considera a educação um instrumento de dominação de classe, embora a pedagogia libertadora possa ser um fator de mudança social revolucionária. Para Freire, a liberação e a aprendizagem são atos eminentemente coletivos.

. Teoria da dependência
- Desenvolvida por Cardoso e Faletto, foi uma tentativa de emancipar a sociologia latino-americana da visão eurocêntrica tradicional.
- Aplicada à educação, Manfredo Berger (1976) analisou que as limitações do sistema educacional em termos de oportunidades de educação universal, alienação da escola, eficiência e capacidade inovadora, são, ao mesmo tempo, fatores e conseqüências da dependência. Para ele a capacidade transformadora do sistema educacional deve ser vista no contexto de suas relações com a estrutura de poder.
. Weber e os neoweberianos
- Weber e os pontos relevantes: conceito de burocracia e estratificação social.
- Os sistemas escolares são burocracias, isto, organizações baseadas na autoridade legal.
- Papel da educação. A função social da educação é de servir de marca de identificação de um grupo de status, bem como critério de seleção.
- Esta colocação de Weber serve de base aos conceitos de credencialismo e de educação como instrumentos de poder de grupos de status, conceitos utilizados pela abordagem neoweberiana, representada pelos trabalhos de Collins. Segundo Collins as pessoas buscam certos bens em todas as sociedades, isto é riqueza, prestígio e poder. Os indivíduos levam à arena diversas espécies de recursos, como propriedades, ferramentas, contatos sociais importantes para o avanço na carreira e qualificações educacionais. Portanto os sistemas educacionais são modelados menos por necessidades de integração social que por interesses em conflito.
- Os requisitos de qualquer ocupação não são fixos, sendo determinados pela barganha entre as pessoas que ocupam as posições e que tentam controlá-las. Os padrões de desempenho refletem o poder dos grupos envolvidos. A educação é um recurso, neste contexto, para a competição entre tais grupos pro vantagens econômicas, prestígio e dominação. No processo competitivo a educação é um meio de seleção e controle. A educação funciona como uma base para a unidade de classes, grupos de status e partidos, ou seja, como uma espécie de pseudoetnia. Os empregadores não contratam os empregados com base apenas na competência técnica, mas também em atributos culturais. As organizações selecionam as pessoas que compartilham da cultura da elite ou, pelo menos, respeitam e valorizam seu estilo de vida. O papel primordial das escolas é transmitir a cada grupo de status a sua própria cultura.
- A carreira profissional desenvolve-se num ambiente político, e têm sucesso os indivíduos que reconhecem este fato, não necessariamente os mais competentes em termos técnicos. O sentido da educação vem a ser então fornecer credenciais, que servem como meios de seleção cultural. As credenciais tornam-se uma espécie de moeda para obtenção de empregos.

. Conclusões: perspectivas do presente e do futuro
- Dois entendimentos a respeito do pós-modernismo: a modernidade começou a dar sinais de esgotamento nos anos 60, com os movimentos estudantil e ecológico, a informática, o novo consumismo e o capital multinacional. A pós-modernidade não é um novo período histórico, mas uma corrente de questionamento crítico da sociedade moderna, com suas disparidades sociais e suas formas de participação política.
- O mundo pós moderno é descentralizado, dinâmico e pluralista, obsolesceu a regra da maioria absoluta e cada vez menos há lugar para a tirania da sociedade de massas.
- O sistema internacional deixou sua configuração bipolar e passou a ser multipolar, e as minorias alcançam seus direitos de expressão. São rejeitados os sistemas filosóficos que oferecem algum tipo de padrão universal, como os ofertados nas obras de Smith, Freud, Hegel, Comte e Marx.




. Paradigma do conflito no Brasil
- A partir dos anos 70, os estudo sociológicos da educação no Brasil passaram a inspirar-se nas teorias reprodutivistas, contribuindo para isso a insatisfação com a política educacional da época.
- Nos anos 70 e 80 a nossa produção registra obras importantes que tem como principal fundamento teórico o marxismo.
- A educação superior é vista como um processo de qualificação do indivíduo para ocupar posições sociais superiores, capaz de conduzir e consolidar a ascensão social da família pequeno-burguesa
- Nomes mais representativos: Marialice Mencarini Foracchi (1977), O estudante e a transformação da sociedade brasileira / Cunha (1975), Educação e desenvolvimento social / Guiomar Namo de Mello, Magistério de 1° grau: da competência técnica ao compromisso político.

Reflections of words

We dont need no education
We dont need no trought control
No dark sarcasm in the classroon
Teacher leave the kids alone
Hey teacher leave the kids alone
All in all its just another brick in the wall
All in all you re just another brick the wall
Another brick in the wall (Pink Floyd)

Aula dia 09 de novembro

SOCIOLOGIA & EDUCAÇÃO

CONCEITOS
. Sociologia
Estudo científico da formação, organização e transformação da sociedade humana.

. Educação
Ação ao longo da vida da pessoa humana na família, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais, nas organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

Corolário
A educação, em última análise, garante as condições de coesão, de renovação e da sobrevivência em e da sociedade.

. Sociologia da educação
Estudo da sociedade do ângulo dos seus processos educativos.

Corolário
Cabe a esta disciplina auxiliar ampla e profundamente o quadro em que se processa a vida dos grupamentos humanos, de que forma se relacionam, com os fins de um determinado sistema educacional. Cabe a ela o possibilitar o desvendamento dos véus que cobre a realidade educacional.


A SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL
. Periodização
A maioria dos autores reconhecem três fases de desenvolvimento da sociologia (BERGER; AZEVEDO; IANNI):

Ÿ Pré-científica
- Importação das idéias européias
A nossa intelligentsia - [Do rus. intelligentsiya, do lat. intelligentia. S. f. 1. Os intelectuais considerados como classe ou grupo, ou, em especial, como uma elite artística, social ou política. [Tb. se grafa intelligentzia.] reflete escolas e teorias estrangeiras como o positivismo, o evolucionismo, a escola antropológica da Itália e a Antropogeografia.
- A ciência e a filosofia são transplantadas de realidades alienígenas, em vez de brotarem da reflexão sobre a realidade brasileira.
- A educação não chega a ser um dos focos de interesse do período
- Período de crise do modelo agroexportador; processo de modernização vivido pelo Império dá ensejo ao aparecimento de novas elites, oriundas dos estratos médios urbanos e formadas pelas escolas técnicas, médicas e militares; intelectuais formados pelas escolas de Direito ativam o movimento positivista em favor da República e da Abolição, que está também relacionado à reforma educacional de 1891, levada a efeito por Benjamin Constant.
- Tentativa de utilizar a educação como meio de formar uma nova mentalidade, menos voltada para a tradição humanística que para as ciências positivas.
- A Sociologia, associada à moral, é incluída pela primeira vez no currículo da escola secundária, por um curto período, embora sem efeitos práticos.
- A fase pré-científica termina por volta do início de 1930, quando a ciência sociológica começou a ser introduzida nos currículos escolares brasileiros (AZEVEDO; IANNI).

Ÿ Institucionalização
- Período de 1928 a 1935 especialmente como disciplina (AZEVEDO).
- O ensino da Sociologia é introduzido em currículos de nível médio e superior.
- A produção sociológica bastante modesta e orientada por missões de professores estrangeiros.
- A introdução da Sociologia nos currículos, no Brasil, é tardia em relação a outros países latino-americanos, estando ligado às transformações sofridas pela sociedade brasileira.
- Período marcado pela Grande Depressão, a política brasileira sofre os impactos da Revolução de 1930 e da Revolução Constitucionalista de 1932, que alteram o sistema de poder.
- Surgimento da sociedade urbano-industrial, desintegrando a ordem social patrimonialista, que gerou novas condições em termos de secularização e racionalização, para a valorização da Sociologia.
- As Ciências Sociais ganham relevo e surge uma compreensão racional das funções da educação. O ensino das Ciências Sociais é incentivado, tendo em vista os objetivos de educar as novas gerações para as tarefas de lideranças econômicas, administrativas e política.
- Procura de novas bases para reformas da educação – movimento das Escolas Novas, para incluir orientações inovadoras.
- Ampla influência do liberalismo sobre o pensamento pedagógico e a crença otimista na educação como fator de mudança social, que permita a incorporação de grandes camadas populacionais ao “progresso”.
- Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova proclama a educação como problema social e exige um programa educacional amplo para o país.
- A Sociologia é incluída nos cursos de formação de professores. Primeiro, na 6ª série do curso ginasial, para os interessados em obter o diploma de bacharel em Ciências e Letras. Em 1925-28 são criadas cadeiras de Sociologia no Colégio Pedro II, na Escola Normal do Distrito Federal e na Escola Normal do Recife. Em 1933, é fundado o Instituto de Educação de São Paulo, já tendo no currículo a cadeira de Sociologia Geral e Educacional. Inovação que se estende a todas escolas normais do Estado. No mesmo ano, a disciplina é introduzida no ensino superior por meio da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo que, um ano depois, passa a fazer parte do Instituto da Educação da Universidade de São Paulo.
- A Sociologia é institucionalizada na cultura brasileira como parte de uma proposta renovadora da educação e, de certo modo, da sociedade, ao contrário dos países hispano-americanos, em que a ciência sociológica penetra através do curso de Direito.
- Impulso da Sociologia em geral, por meio das missões de professores franceses e norte-americanos no país, gerou trabalhos para a chamada “Sociologia Primitiva”, com estudos sobre grupos africanos e a sociedade brasileira, além de outros estudos que oferecem uma visão ampla do processo social brasileiro nos trabalhos de Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil; de Caio Prado Junior, História Econômica do Brasil; Gilberto Freyre, Casa Grande & Senzala e Sobrados & Mocambos.
- A educação, no entanto, não despertou grande interesse dos estudiosos e pesquisadores. Limitações referem-se principalmente aos especialistas sociólogos divorciarem o conhecimento sociológico com o pedagógico ou da debilidade teórica em Sociologia dos educadores para refletirem o caráter social da educação. A tendência sempre foi pelo o absorver a produção intelectual de Sociologia Educacional norte-americana, sobretudo, pertinentes ao funcionamento da escola e as relações com a comunidade, do que produzir trabalhos calcados na nossa realidade educacional.

Ÿ Fase científica propriamente dita
- A partir dos anos 50: a maioridade. A tônica – fazer a mudança social e o desenvolvimento econômico da educação, tendo como crença a educação como fator de transformação social.
- Período marcado pelo processo de industrialização substitutiva de importações, pelo nacionalismo desenvolvimentista e pelo populismo.
- Expansão da pesquisa e ampla dispersão dos temas
- A educação recebe a atenção de pesquisadores (professores estrangeiros) em problemas “exóticos” – caboclos, negros, índios, imigrantes
- Estudos de explanação descritiva, sem interpretação e integração teórica dos resultados das investigações.
- Fim da década de 50 e nos anos 60 é desenvolvido um esforço vigoroso de investigação propriamente sociológica dos estudos em educação
- O INEP, que concentra suas pesquisas sobre aspectos psicopedagógicos começa a produzir diversos trabalhos na área de Sociologia, publicados na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos e no periódico Educação e Ciências Sociais. A mudança de enfoque deu-se a partir da gestão de Anísio Teixeira.
- Na USP diversos cientistas sociais se interessaram pelos problemas educacionais brasileiros, produzindo uma quantidade bastante significativa de pesquisas de qualidade, muitas das quais com propósitos acadêmicos, como teses de mestrado, doutorado e livre docência.
- No início da década de 70 o INEP dedica-se preferncialmente aos temas econômicos ligados aos recursos humanos.
- A participação dos sociólogos na pesquisa educacional incide no estudo de: 1) expectativas e aspirações de estudantes ou de clientela potencial de escolas de diferentes tipos, associados a espectos de democratização e planajamento da educação; 2) caracterização do corpo discente, docente ou administrativo de diferentes níveis incluídas diversas variáveis sócio-econômicas; 3) educação e movimentos sociais.
- Duas correntes dos estudos sociológicos:
. Educadores que pensam sociologicamente a educação, mas os laços intelectuais os ligm maisaos estudos educacionais que à Sociologia;
. Cientistas sociais que distanciam-se da educação
- Há um seccionamento entre Sociologia e Sociologia Educacional, como se o ramo fosse separado da árvore, dificultando a sua renovação através da livre circulação de teorias e resultados de pesquisas oriundas da ciência sociológica.


TEXTO. LEITURA COLETIVA
TOMAZI, N. D. (1997). Sociologia da educação. São Paulo: Atual. Cap.: Ideologia e
educação.

Thursday, October 20, 2005

Bibliografia (sugestão)

BÁSICA

FERREIRA, R. M. Sociologia da Educação. São Paulo: Moderna, 1993.
GUARESCHI, P. Sociologia crítica: alternativas de mudança. 44 ed. Porto Alegre:EDIPUCRS, 1999.
MENDONÇA, E. F Educação e sociedade numa perspectiva sociológica. UnB/FE/Pie – Versão preliminar, 2000.
Kruppa. S. M. Sociologia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994.


COMPLEMENTAR
CIVITA, F. V. Nova Escola: Grandes Pensadores. Edição especial. São Paulo: Abril, dez-2004.
FREITAG, B. Escola, estado e educação. São Paulo: Cortez, 1979.
TOMAZI, N. D. ett alli. Iniciação à Sociologia. São Paulo: Atual, 19993.

Wednesday, October 12, 2005

Clássicos da Sociologia

Friday, October 07, 2005

Evolução humana

Aula 05 de outubro de 2005

Copyright 2005 Pedro Ferreira de Andrade. Todos os direitos reservados


I - REVISÃO: Relembrando a
Unidade II – INDIVÍDUO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO

. Indivíduo – De um modo geral, indivíduos são todas as coisas individuadas, isoladas. É uma simples amostra da espécie. O indivíduo humano não é puramente uma espécie biológica mas também uma pessoa, dotada de consciência.

. Pessoa - Cada ser humano considerado na sua individualidade física e espiritual, portador de qualidades que se atribuem exclusivamente à espécie humana, tais sejam: racionalidade, consciência de si, capacidade de agir conforme fins determinados, discernimento de valores.

Status e papel
- Status - O lugar ou posição que a pessoa ocupa na estrutura social
- Papel - O homem como ator social

. Cultura - Significa tudo que o homem produz ao construir sua existência: as práticas, as teorias, as instituições, os valores morais, materiais e espirituais.

. Sociedade - Sistema de interações humanas culturalmente padronizadas de símbolos, valores e normas.

. Processos sociais - Ações entre dois ou mais agentes sociais.
- Interações sociais
- Contato e comunicação social
- Isolamento, cooperação e ação coletiva
- Competição
- Conflitos sociais

. Agrupamentos sociais
. Grupos, agregados e categorias sociais
- Grupos primários
- Grupos secundários

II - CONCLUINDO a
Unidade II – INDIVÍDUO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO

ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL

. Introdução
A desigualdade é um fato social.
Separa os indivíduos em amplos contingentes caracterizados por uma localização semelhante no sistema econômico e por um modo de vida comum conhecidos como classes sociais (alta, média, baixa).

. Conceito
Estratificação social é o processo ou o estado de localização hierárquica dos indivíduos em setores relativamente homogêneos da população quanto aos interesses, ao estilo de vida e às oportunidades de vida, segundo a sua participação na distribuição desigual de recompensas socialmente valorizadas da riqueza, do prestígio e do poder.

. Estratificação, crenças, valores e normas
A estratificação social não se reduz ao processo ou estado de distribuição desigual de recompensas socialmente valorizadas. Todo sistema de estratificação compreende necessariamente crenças, valores e normas que explicam, legitimam e regulamentam essa

. Mobilidade social
É a locomoção dos indivíduos no sistema de posições da sua sociedade, podendo ser:

- Horizontal - O indivíduo muda de status, mas permanece na mesma camada social
- Vertical - O indivíduo muda de status e muda de camada social. A mobilidade vertical pode ser: ascendente e descendente.

Corolário
- Os indivíduos não mudam de status apenas segundo seu desejo e esforço, mas também de acordo com as normas sociais referentes a essa área da vida social.
- A educação escolar tem sido o canal de mobilidade social mais procurado pelas pessoas nas sociedades.
- As mudanças estruturais da sociedade tendem a alterar o sistema de estratificação social.

Sistemas de estratificação social / sociedades fechadas e abertas

. Sociedades fechadas

- Castas
A localização dos indivíduos na hierarquia social é necessariamente herdada, de modo que é absolutamente interditada a mobilidade social.

Exemplo:
Índia.
Sistema abolido em 1949, mas que ainda se mantém, ao lado do moderno sistema de classes.

- Estamentos
A desigualdade de modo geral não é apenas econômica de fato é também de direito; os direitos e os deveres são definidos por lei.
Ex.: Sociedades aristocráticas. Sociedades feudais

. Sociedades abertas
Exemplo:
- Classes
Afirma o direito de todos os indivíduos de usufruírem todas as vantagens econômicas e sociais em geral que a sociedade pode oferecer, de acordo com os méritos de cada um e independentemente da sua condição social de nascimento.

As sociedades estratificadas em classes são as que mais se aproximam do tipo de sociedade chamada aberta.

A pergunta:
Por que existe estratificação social?
Duas explicações / respostas, a seguir

KARL MARX - Concepção do materialismo dialético

A distribuição desigual da riqueza e a conseqüente diferenciação da sociedade em classes nascem do estado de desenvolvimento das forças produtivas (tecnologia disponível, conhecimento e especialização técnica da mão-de-obra) em combinação com as relações dos homens com os meios de produção (terra, máquinas, matérias-primas, fábricas).

Da associação dessas duas ordens de fatores nasceriam a dominação das classes detentoras dos meios de produção em relação às demais classes sociais e, conseqüentemente, a distribuição desigual da riqueza.

DAVIS E MOORE - Concepção funcionalista
(Derivada do funcionalismo de Émile Durkheim, opõe-se à concepção marxista)

Todos os padrões de organização social existem à medida que tenham uma função. E se tem alguma função os padrões são necessários à sociedade. A estratificação social existe em todas as sociedades porque ela tem uma função: é necessária a organização social


INSTITUIÇÕES SOCIAIS

. Introdução
A família é uma instituição? A escola é uma instituição? A empresa, a Igreja, o governo, o Estado são instituições?

. Conceito
Instituições sociais são conjuntos de valores, crenças, normas, posições e papéis referentes a campos específicos de atividade e de necessidades humanas.

Corolário
As normas e os valores compreendidos por cada instituição orientam e regulamentam a satisfação das necessidades humanas.

Exemplos:

- Família
Orienta e regulamenta a procriação, a satisfação das necessidades sexuais e afetivas, a proteção da criança e adolescentes, bem como a transmissão de valores, crenças e normas às novas gerações.

- Instituições educacionais
Fixam o modo aceito como correto para a transmissão das idéias necessárias à integração do indivíduo na sociedade, incluindo, além de normas, crenças e valores, conhecimentos e técnicas.

. Universalidade
Sãos as instituições universais. Existem de algum modo em quase todas as sociedades – família, governo, economia, educação, religião, casamento etc.


MUDANÇA SOCIAL

. Introdução
A sociedade é uma realidade que se transforma continuamente, embora algumas sociedades se transformem lentamente.

. Mudança social e mudança cultural
- Mudança social – as transformações na composição etária de uma sociedade, por exemplo, nas relações de classe, no estilo predominante de vida, acarretando necessariamente transformações no acervo cultural de uma sociedade e nas formas de organização das relações sociais

- Mudança cultural – as transformações no domínio das crenças, valores, atitudes e costumes

. Fatores de mudança social
- Geográficos – Condições climáticas, cataclismas, disponibilidade dos recursos naturais
Ex.: Tsunami no início do ano de 2005 / furacões Katrina, Rita / secas etc.

- Históricos - Lideranças de personalidades carismáticas
Ex.: Fidel Castro, em Cuba

- Demográficos - Migrações; ideológicos
Ex.: Migração rural para urbana / Comunismo na China de Mao Tse-Tung

- Descobertas e invenções – Novos conhecimentos e aplicações originais
Ex.: Roda / alfabeto / escrita / imprensa / automóvel / avião / rádio / televisão /
computador / pílula anticoncepcional

- Difusão pelo contato sócio-cultural – Contatos entre sociedades e entre pessoas
Ex.: Meios de comunicação de massa / Internet


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SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO – SOCIOLOGIA EDUCACIONAL

. Conceitos e corolários
. Sociologia
Estudo científico da formação, organização e transformação da sociedade humana.

. Educação
Ação exercida sobre a formação e desenvolvimento da pessoa que se processa na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais, nas organizações da sociedade civil, nas manifestações culturais

Corolário
Importância da educação para a vida do grupo que, em última análise, garante as condições de coesão, de renovação e da sobrevivência da sociedade.

. Sociologia da educação
Estudo da sociedade do ângulo dos seus processos educativos.

Corolário
Cabe a esta disciplina auxiliar ampla e profundamente o quadro em que se processa a vida dos grupamentos humanos de que forma se relacionam com os fins de um determinado sistema educacional.

Cabe pois desvendar os véus que cobre a realidade educacional.

Finalidade


Página dedicada à disciplina Sociologia da educação, conduzida pelo Professor Pedro Ferreira de Andrade, no curso de Pedagogia da Faculdade Santa Terezinha.

O principal objetivo deste espaço é motivar a aprendizagem e a construção do conhecimento individual e coletivo, incentivar a interação e a cooperação interpessoal e intergrupal, valorizar a autoria, mediante a publicação das produções dos envolvidos, permitir o armazenamento e a disseminação das produções tanto do professor quanto dos alunos das referidas disciplinas, bem como proporcionar espaços a outras realizações tais como: informar as atividades que os alunos terão que realizar na disciplina; arquivar os textos selecionados relativos às matérias, além de disponibilizar outros objetos de ação para o desenvolvimento do programa entre projetos, textos, documentos, links etc.
Foto em tempos áureos da juventude by copyright Pedro Andrade